Como parte da saga que eu comentei na minha primeira entrada neste blog, tive que reler o livro de Adolfo Caminha que foi publicado em 1895. É óbvio que este não fazia parte da lista dos que eu "quero ler", fazia, antes, parte da lista dos "tenho de". rsrsrs. Mas, convenhamos, é um livro interessante e permite que tenhamos longas discussões a seu respeito. Creio que esta é a quarta vez que tenho de lê-lo e, confesso, vi uma coisa muito especial que me fez lembrar da querida Professora Ivone Daré Rabello e que eu não havia visto em nenhuma das outras leituras que fiz. Pois é, estudante de literatura precisa ter a mente fotográfica, lembrar dos detalhes - somos, no final das contas - uns colunistas de fofoca enrustidos (ok, falo por mim e, talvez, esteja a reverberar os ecos da minha amiga Nastassja Pugliese que diz não gostar muito de narrativas porque estas se centram na vida alheia... Leia-se: eu gosto delas porque adoro a vida alheia. hahaha. Em parte, é verdade. Acho a vida dos outros mais interessante, mais rica, mais charmosa e quando leio sobre elas, entro em uma aventura da qual também faço parte. Você aí, leitor que não existe, lembre-me de contar o que eu estou dizendo através dos passeios que fiz ao ler o livro novo da Lucia Bettencourt, O amor acontece (2012). Este, sim, da lista dos "quero ler".
Retornando à rua da Misericórdia de Caminha e também as diversas passagens pelos navios e as descrições fortes de Bom-Crioulo, falemos do detalhezinho que eu vi. Nas primeiras passagens quando Amaro e Aleixo vão conhecer o tal quartinho da Dona Carolina (que lembra o mesmo inferninho - ops, paraíso - da Luisinha e do Basílio do Eça de Queirós) o narrador fala sobre uma figura do imperador. Detalhe mínimo, quase não o vemos, porém, o que queria o narrador a deixar ali, quase sem querer, aquela figura? Se eu estivesse em uma aula da Ivone Daré, tenho certeza de que discutiríamos horas só por conta daquela presença deslocada: a figura do imperador na alcova dos amantes. Além do mais, a figurinha vai aparecer outras vezes na narrativa e, cada uma das vezes, de um jeito diferente. Então, fica aqui a questão? O que quer dizer aquela figurinha? Por que se fala tanto nela?
Ah, a arte de narrar.
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